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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Não temos motivo para temer o inimigo



Satanás continua a tentar enfraquecer os filhos de Deus


Eu acho que todos devem saber o que os romanos faziam quando derrotavam um império ou um general. O vencedor entrava de forma triunfante em Roma. E em meio àquela entrada triunfal, o general era aplaudido, louvado. E o general derrotado era amarrado à carruagem do vencedor. E isso era o máximo de humilhação para quem que havia sido derrotado.
Se olharmos Colossenses 2,15, Paulo usa esse mesmo fato para falar da derrota do inimigo de Deus. Já foi dito várias vezes que o demônio já foi derrotado. Não precisamos temer nada. É verdade que o maligno é como um leão que ruge à nossa volta, tentando achar uma brecha e nos devorar. Mas por que ele continua a entrar nesse campo de batalha uma vez que já foi derrotado? A intenção dele é diminuir a força do reinado de Jesus. Satanás continua a tentar enfraquecer aqueles filhos e filhas de Deus que fazem parte do Reino. E a experiência de muitos é esta: “Por que depois que comecei a seguir Jesus tenho mais tentações, me sinto mais oprimido que antes e tenho mais crises?”
Muitas pessoas, muitos cristãos, uma vez que tomam a decisão de seguir ao Senhor pensam que vão ter uma vida mais tranquila. Mas a verdade é o contrário, pois o demônio não tem interesse em atacar os que não são seguidores de Jesus Cristo. O interesse dele é colocar obstáculos na vida daqueles que decidiram seguir o Senhor. Tanto mais eu “subo a montanha”, tanto mais descubro que as dificuldades são grandes. Os cristãos são as pessoas mais atacadas. Até mesmo os santos o foram.
Não estranhe se, vocês que seguem a Jesus, começam a sentir mais problemas, mais ataques. Isso não é motivo de nos levar a uma crise.Não temos motivo para temer o inimigo, pois ele já foi derrotado. O demônio é que tem de ter medo de você, de mim. A razão é simples. Porque nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino. Ele tem muita raiva, porque aquilo que foi dado a ele uma vez, agora é dado para nós. Ele tem raiva, tem ódio por causa disso. Ele odeia a cada um de nós. Ela faz tudo para nos enganar, para que possamos voltar desencorajados, desanimados. Ele tenta nos enganar de várias maneiras.
Mas tem uma coisa, uma técnica que ele usa frequentemente para nos atacar. É o desânimo, o desencorajamento. Ele também usa essa "carta do baralho" com os santos. O desânimo não vem de Deus, sempre vem do inimigo, daquele que nos faz desistir de ir em frente.
Vamos olhar para padre Pio de Pietrelcina. Quando um analista do Vaticano disse que ele era um psicopata, este santo entrou numa crise tremenda. Ele olhou para os estigmas dele e se questionou se tudo era falso. Madre Teresa de Calcutá, no seu leito de morte, também viveu uma grande crise ao sentir o amor de Deus longe dela. O bispo teve de enviar um exorcista até ela e convencê-la de que aquele sentimento de não amor não vinha de Deus.
É muito normal que também nós vivamos esses momentos de crise. Seguir Jesus num momento de entusiasmo é fácil, mas continuar O seguindo nos momentos de sofrimento, isso sim é difícil. O inimigo de Deus virá tentá-lo quando você estiver se sentindo fraco, cheio de medos, com raiva, ansiedade, tristeza. É nosso papel lutar contra essas táticas que ele usa para nos desanimar. A tática que ele também usa é nos apresentar meias verdades, porque o demônio é um mentiroso, enganador, trapaceiro. Ele nos apresenta algo que parece muito bom, quando, na verdade, é muito ruim.
O maligno diz que por causa dos seus pecados, você não consegue fazer nenhuma tentativa para ser mais santo. Muitas vezes, nós pensamos que tentações são relacionadas ao sexo, ao sentimento de raiva, ódio. Essas são grandes tentações. Mas temos de estar atentos a uma grande tentação que é não fazer a vontade de Deus. Eu posso tentar vencer esse mal pelo poder que vem do Alto, do Espírito Santo. O inimigo faz de tudo para que eu saia do caminho da vontade do Senhor. Ele ousou tentar Jesus a desobedecer ao Pai, quando O levou ao alto do monte e mostrou-Lhe as cidades, dizendo que elas Lhe pertenciam. A tentação do inimigo a Jesus era muito atraente. O Pai dizia para Jesus ir para a cruz e o inimigo pedia para ele desobedecer ao Pai e ter aquelas cidades. Mas Cristo diz: “Afasta-te de mim, satanás. Eu adoro somente ao Pai”.
Irmãos e irmãs, será uma luta até o fim de nossa vida, mas se nós usarmos as armas não precisamos ter medo nenhum. A primeira arma é a Eucaristia. O inimigo treme diante da Eucaristia, porque ela é sinal de humildade, enquanto o maligno luta para ter poder. Uma outra arma forte contra o inimigo é o sacramento da confissão. Este sacramento é mais poderoso do que a própria oração do exorcismo.
O maligno tem medo da Santíssima Virgem Maria. Numa de minhas orações de exorcismo, quando eu falei o nome de Maria, uma mulher possuída disse, numa língua em latim, a qual ela não conhecia, por meio do inimigo: “Não mencione este nome!”. Ele disse que tem muito medo da humildade de Nossa Senhora. Temos de guardá-la como nossa Mãe.
Momentos de desânimo podem acontecer em nossas vidas. Quando isso acontecer se agarre a Maria. Não tenha medo do inimigo. Não desanimem com as ondas revoltas do mar, porque a vitória é nossa! Uma vez que Jesus derrotou o inimigo, com Jesus, nós também o derrotaremos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Namoro: tempo de conhecer e reconhecer o outro


Um estímulo direto para o auto-conhecimento

Tempo de namoro: tempo gostoso de conhecer a pessoa por quem, num primeiro momento, o que por vezes falou mais alto foi a paixão, mas que, logo depois, deu espaço para uma vivência madura que supera o clamor quente e desmedido, que nem sempre corresponde a expectativas interiores de cada um dos enamorados.

O convite de hoje é pensar sobre seu relacionamento de namoro: muitas pessoas o acham desnecessário, outras falam apenas no ficar, outras querem mesmo a saciedade das sensações físicas e aí mora o perigo.Quando satisfazemos apenas o físico, nosso emocional continua "carente". Amor vai além. E é aí que entra o tempo de namoro; tempo para conhecer, não apenas o "lado feliz, lindo e amável" do outro, mas também aquelas características que nem sempre aprovamos; aquele temperamento difícil de aceitar e, muitas vezes, bem diferente da outra pessoa (e daí, vêm as divergências, a nossa falta de paciência e o fim de um relacionamento).

O tempo de namoro é um período de promessa; promessa de um amor que amadurece com o tempo e não da noite para o dia. Fazer com que as coisas aconteçam antes do tempo é como querer superar o tempo do agora com o dia de amanhã, que ainda não chegou.

Mas, o que fazer agora? Agora é tempo do conhecer, do compreender quem eu sou, como reajo diante das expectativas, como eu me relaciono com as diferenças individuais e, nisso tudo, como eu posso trabalhar para superar a condição presente, agindo com respeito e tolerância e sabendo até onde eu desejo conviver com o outro, estendendo este namoro para um noivado e o compromisso do casamento.

O casal favorece um namoro saudável quando permite um olhar diferente para ambos; quais são nossos gostos em comum, nossas diferenças, nossos pensamentos sobre assuntos divergentes, aonde queremos chegar com este namoro. Você pode estar pensando: “Mas, então, sou obrigado a casar com a pessoa com a qual namoro?”. Não, você não é obrigado a nada; mas, entender e viver com seriedade esta fase é importante, mesmo que no final você nem chegue a se casar com ela, mas que entenda que as diferenças são tantas e o jeito de um e de outro são tão diferentes a ponto de este relacionamento não ser adequado para seguir em frente.

As transformações da sociedade têm feito com que muitos valores, antes cultivados, hoje, sejam por muitas pessoas esquecidos. Tratamos as coisas de forma impessoal, individual e com isso, sem uma reciprocidade, um cuidado nas relações humanas de forma geral. Daí importante perceber que quanto mais exemplos de família desestruturada temos, tanto maior a tendência de namoros que sejam pouco adequados ou de muito sofrimento.

Acredito numa verdade que diz que o namoro compreende um estímulo direto para o autoconhecimento; é nesse tempo que tudo aquilo que eu acredito como verdade é colocado em xeque com a verdade do outro: meus sentimentos, carências, dependências, crises, alegrias, decepções. Aí entra a força da superação até mesmo dos traumas e dores por uma história de vida mal compreendida. Por isso, não se deve iniciar um namoro apenas porque não se deseja ficar sozinho, sem namorado (a). Milhares de casamentos infelizes começam dessa forma, achando “depois que casar melhora” ou “o tempo faz com que se acerte tudo”. De fato, conhecer leva tempo e viver debaixo do mesmo teto faz toda a diferença. Por isso, afirmo que é muito bom olhar para o namoro com maturidade, tendo conhecimento de si, aceitando o outro, vivendo a dois a experiência do amor que constrói, amadurece, faz e refaz em sua vida. Um relacionamento maduro se faz no dia a dia e se torna maduro à medida que passamos pelas situações positivas ou negativas surgem no relacionamento e nos colocam, como casal, como um par que deve decidir a partir dos objetivos e desejos de ambos.